Encontro poético com a morte
Tendo entrado na alcova da morte ouvia assustado “nunca mais”, “nunca mais”. Pronto e certo de não ter outra saída encarei a senhora da noite.
Não é tua hora - disse a morte.
Seja a hora de quem for é a minha também, é sempre por mim que os sinos dobram - disse eu, certo de que ela entenderia que eu sou a humanidade, o continente africano.
Não é tua hora - disse a morte.
E eu fiz a proposta: Subsistir senhora, isso é que importa. Não te canso me escondendo e correndo de ti, tu não me cansas me procurando dia e noite. A vida não é de se brincar assim de esconder. Um belo dia te encontro.
Não é tua hora - disse ela outra vez.
Saí da alcova convicto de que ela levaria em conta a sugestão. No primeiro passo para fora morri. Em menos de dois minutos já era minha hora. Poderia ter aproveitado melhor. Com um poema, quem sabe? Nunca em vida cheguei a pensar como queria que fosse meu último poema.