Grande inauguração do blog do Ravid!
Eu sei que deveria iniciar aqui com uma justificativa do nome pra esse blog. Mas foi tanto tempo criando coragem pra escrever, que quando apareceu a vontade de falar sobre outra coisa eu preferi não desperdiçá-la. Vou fazer aqui uma abertura que homenageia um grande poeta nordestino – eu mesmo. Não, estou brincando, a homenagem é a outro grande poeta. hauhauhauhauhauahauhauh
Acontece que notei em um dos meus torpes e infantis textos uma similaridade de sentimento com um poema que eu gosto muito de Augusto dos Anjos. Similaridade essa que, retorno a dizer, é unicamente de sentimentos. Nem um pouco da estilística, métrica, rima, elegância e força de expressão de Augusto dos Anjos está contida em meu “poema”, admito.
Para quem não o conhece, Augusto dos Anjos foi um poeta paraibano que tinha uma poesia própria e um estilo não mais imitado. Foi alguém que não teve medo de usar as palavras, e que ainda causa medo nos outros pela forma como as usa. Sublimava a morte mas profanava o corpo e toda a substância orgânica se apropriando do vocabulário biológico que, pelo que parece, conhecia muito bem. Nasceu em 1884 (olha só, mais uma coincidência!!!) e morreu em 1914, embora Órris Soares (organizador da segunda edição do livro de dos Anjos) insista em dizer que foi em 1913.
Em Vandalismo Augusto parece falar de desencantos, de sonhos destruídos por ele mesmo, assim como o “eu” do poema que aparece abaixo, que declara ter entendido a desgraça que é o amor. Os dois “eus” presos em si mesmo provocam modificações, em suas vidas. Os dois promovem um diálogo introspectivo e os dois parecem gritar a palavra desilusão, embora ela não apareça em nenhum dos dois textos. Vandalismo é uma apreciação interna do sonho, do sonhador e da destruição de ambos, e descuidos é o lado de fora de um sonhador muito parecido. Vejamos o poema bom:
Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos …
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Augusto dos Anjos, 1904.
Agora o péssimo:
Descuidos
Descuidado ele ouve música,
e faz sua canção com tom de amor,
transforma a alma atéia em lírica
e então seu ratio se amuou.
Descuidado ele faz promessas sem pudor,
E até caminha ao luar.
Em meio a gestos de louvor
se deixa apaixonar.
Descuidado ele perde a métrica,
E agride até o soneto
Com mais seis versos perdidos
Sem pedir licença poética.
Reza alto em seu idioleto
Hei de ter compreendido:
Que o descuido cometido
é um dia nublado,
é um paciente acometido.
O descuido cometido
É um homem que isolado,
a seu peito fica recolhido.
David, 2005.
Espero melhorar meu jeito de escrever aqui, esse é só o primeiro post. tomara que apareça assunto pra outros. Tenho um projeto de escrever sobre otimismo, pessimismo e realismo. Todos os três em noções do senso-comum, e essa seria a idéia para o blog, vejamos se eu consigo um dia. Abraços a todos.
Acredito que a palavra idioleto contempla muito bem o seu poema!!! Podemos lembrar algumas idéias que ela sugere: peculiar, retrato de suas especificidades, autobiografia, espelho da alma, vazão da essência,… é isso meu amigo que entendi de seu poema, uma alma errante (como todas são) procurando encontrar o seu sentido nesse lugar (mundo) em que julgamos ser ou estar. Embora não possa te dar tal resposta, já que somos fadados a procura-la pelo resto de nossa existência (confesso que os filósofos, como você, são mais perseverantes nessa busca, pois nunca fecham os olhos para a aflição que essa dúvida cria), posso dizer algo com a plena convicção que tenho, ou que formei durante meus anos de vida: você é um grande pensador e um esplêndido amigo! Espero encontrar muitas angústias nesse blog para atenuar as minhas (digo isso porque encontrar respostas seria muita pretensão de nossa parte). Parabéns pelo texto (poema) inaugural!!!!
P.S. Justificar o título do blog???? É o frango é???? Deixe isso para os amadores!!!!!!! Hahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!!!!!!!
Oi amigo querido!! Adorei o blog, o poema, tudo!! E a proposta interessantissima, não vejo a hora de poder ler os próximos textos!! Já está devidamente adicionado tá!!! Mil beijocas!!!