Tuesday, October 27, 2009

Surto

Violam, violão, violariam e violarão. Só vendo e não vendendo. Missão comprida é missão não cumprida. Nunca confunda, e algumas vezes com baladeira. No tienes cita con tu novia? Sim, me excito. Tuyo you ou brucutu? Pará, para, pára.

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Tuesday, September 22, 2009

Flerte com Bandeira.

Quanto o pranto amargo que correu turvou e escureceu o olhar que Deus me deu.
Embora morra incontentado bendigo como um dom sagrado repousar meu olhar cansado.
Porém já tudo se perdeu, e não há como confortar um coração que a dor venceu.

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Tuesday, June 16, 2009

Encontro poético com a morte

Gostei da idéia, mas deve ser mudado.

Tendo entrado na alcova da morte ouvia assustado “nunca mais”, “nunca mais”. Pronto e certo de não ter outra saída encarei a senhora da noite.

Não é tua hora - disse a morte.
Seja a hora de quem for é a minha também, é sempre por mim que os sinos dobram  -  disse eu, certo de que ela entenderia que eu sou a humanidade, o continente africano.
Não é tua hora - disse a morte.
E eu fiz a proposta: Subsistir senhora, isso é que importa. Não te canso me escondendo e correndo de ti, tu não me cansas me procurando dia e noite. A vida não é de se brincar assim de esconder. Um belo dia te encontro.
Não é tua hora - disse ela outra vez.

Saí da alcova convicto de que ela levaria em conta a sugestão. No primeiro passo para fora morri. Em menos de dois minutos já era minha hora. Poderia ter aproveitado melhor. Com um poema, quem sabe? Nunca em vida cheguei a pensar como queria que fosse meu último poema.

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Tuesday, March 17, 2009

O supérfluo é essencial para mim. Não o supérfluo fútil, não o que sobra de comida, a roupa que se compra sem necessidade, não o carro mais novo ou a riqueza que se ostenta. O supérfluo à matéria, esse sim é essencial. O “boa noite” inútil antes de dormir, o inútil “boa sorte” antes das provas, o inútil “me espere” dos enamorados. É essencial, é necessário ter coisas dispensáveis como estas.
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Sunday, March 15, 2009

DA PARTE PESSIMISTA

 Esse é do primeiro ano de faculdade, então vamos pegar leve pessoal.

A cada instante se trava uma luta entre o bem e o mal em todas as escalas métricas imagináveis. Deus luta contra o Demônio, o agricultor luta contra os empresários que querem roubar suas terras, anticorpos lutam contra bactérias, energias positivas e negativas se colidem.

Não é verdade que todas essas forças fazem parte de uma mesma guerra do bem contra o mal. Essas lutas travadas cotidianamente acontecem independentes, longe das outras e sem conhecimento dos grupos. Porém, há uma força que derrotará bem e mal, não importa o vencedor da batalha local, uma força que amedronta por sua inexorabilidade, uma força que não é.

Quando há importância em algo? Por quê? A resposta dessas questões ajuda a conhecer essa força. Uma proposta de resposta é: algo é importante quando existe, ao menos em idéia. Porque existir é a primeira condição para que algo possa ter um predicado qualquer, e a condição para que a frase “João é importante” seja verdade é, antes de tudo, que João exista. Tal força é não possuir coisa alguma, como um predicado, por exemplo. Em seu âmago se quer o tempo existe, mas este(o tempo) parece dever alguma coisa à força, pois é conivente a ela e colaboradora do seu “projeto”.

A força tira seus predicados, e um sujeito sem predicados desaparece. Qualidades como bom ou ruim passam a não serem importantes para um sujeito específico ou para sujeito algum, pois a força pode também retirar o sujeito antes dos predicados, e sem sujeitos também não existem predicados. A força é devoradora, e como se vê o que é pior, nem é boa nem ruim, o que impede a nós que só compreendemos essas duas potências de assumirmos seu partido e nos aliarmos, ou rebelarmos. Quando a força aparece em meio aos humanos não lamentamos os atingidos, ao contrário, tememos ser atingidos e nos reunimos em comoção vendo que mais uma vez ela aparece e está bem perto quando nós pensávamos que havia nos esquecido.

A força tem um nome, mas não deve ser entendida por esse nome. Ela deve ser entendida no único contexto que podemos, isso é, chegando perto da parte dela que já está nos mastigando e engolindo nossos predicados, a parte dela que está dentro de nós. Se seu nome é pronunciado ela faz o que mais gosta, desliza por todos como insignificante, sem sentido, sem compreensão, sem ser causadora de dor, sem título bom ou mau, a força se atendesse alguém atenderia pelo nome “Nada”, ladrão de predicados e possuidor de nenhum. Se você assumiu a resposta à questão da importância agora tende a pensar em mais duas, o Nada existe? Ele é importante?

Quanto ao tempo, que não existe no Nada, ele é uma esteira rolante que carrega tudo ao tão famigerado(nesse texto) “Nada”, e esse carregamento está no âmbito onde as coisas ainda são classificadas como boas ou más, mas isso que o tempo faz é bom ou não? Se carrega ao nada deve ser mau, mas isso leva a pensar no Nada como mau também. Mas ele não é dessa classe é porque não é bom nem mau, então o que ele “faz” com os sujeitos deve ser algo não importante, ou os sujeitos que não são importantes? Quando algo é importante mesmo? Em minha fé prefiro acreditar que o Nada está tentando me enganar com as mesmas sutilezas que tem no seu nome, e como quando comecei o texto continuo temendo o nada devorador.

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Wednesday, January 28, 2009

Miúdo

Nessa hospedaria que é a vida eu num careço de nada
teno ocê ao meu lado levo uma vida de risada,
nun quero ropa bunita, cumida boa, nem casa arrumada,
nem gente chique ao meu lado, nem carro, inducação ô ordenado.

Mai eu quero ôcê só pra mim, e mim só pra ocê tumem,
que nói fique em um canto em pai, sem ninguém pra buli nosso cherém.
Vamo é viver junto casado, e se os anjo levá tu antes deu pra te fazer no cer de refém
só vai ter o pade na missa, mas logo eu boto ele pra correr, e se de dô eu num morrer, passo os dia tudim ao seu lado.

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Tuesday, September 23, 2008


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Monday, October 15, 2007

Mais um post assim antes dos textos que eu prometi.

                                                                              Choro de Um

Um dia você entende ou vê que nunca será o único assim como quer ser. Isso  vai te deixar decepcionado, por ter tentado tornar únicas todas as outras coisas, isso vai te deixar forte por perceber que pouca gente pode agir e amar como você. Pensando ser um dos poucos, mais uma vez vai querer ser único, mas…

 

Um dia você entende ou vê que nunca será o único assim como quer ser. Isso  vai te deixar decepcionado, por ter tentado tornar únicas todas as outras coisas, isso vai te deixar forte por perceber que pouca gente pode agir e amar como você. Pensando ser um dos poucos, mais uma vez vai querer ser único, mas…

 

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Um dia você entende ou vê que nunca será o único assim como quer ser. Isso  vai te deixar decepcionado, por ter tentado tornar únicas todas as outras coisas, isso vai te deixar forte por perceber que pouca gente pode agir e amar como você. Pensando ser um dos poucos, mais uma vez vai querer ser único, mas…

 

No final das contas nem você será único, nem seus versos serão únicos.

 

Sua dor se repetirá com a mesma freqüência da sua respiração, e será tão inexorável quanto a sua morte. E morto, aí sim, será mais um( ou um a mais), um que sequer pode desejar ser único. Mas ao menos terá parado de tentar, e assim de repetir.

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Thursday, September 6, 2007

Grande inauguração do blog do Ravid!

 

 

  Eu sei que deveria iniciar aqui com uma justificativa do nome pra esse blog. Mas foi tanto tempo criando coragem pra escrever, que quando apareceu a vontade de falar sobre outra coisa eu preferi não desperdiçá-la. Vou fazer aqui uma abertura que homenageia um grande poeta nordestino eu mesmo. Não, estou brincando, a homenagem é a outro grande poeta. hauhauhauhauhauahauhauh

  Acontece que notei em um dos meus torpes e infantis textos uma similaridade de sentimento com um poema que eu gosto muito de Augusto dos Anjos. Similaridade essa que, retorno a dizer, é unicamente de sentimentos. Nem um pouco da estilística, métrica, rima, elegância e força de expressão de Augusto dos Anjos está contida em meu  “poema”, admito. 

  Para quem não o conhece, Augusto dos Anjos foi um poeta paraibano que tinha uma poesia própria e um estilo não mais imitado. Foi alguém que não teve medo de usar as palavras, e que ainda causa medo nos outros pela forma como as usa. Sublimava a morte mas profanava o corpo e toda a substância orgânica se apropriando do vocabulário biológico que, pelo que parece, conhecia muito bem. Nasceu em 1884 (olha só, mais uma coincidência!!!) e morreu em 1914, embora Órris Soares (organizador da segunda edição do livro de dos Anjos) insista em dizer que foi em 1913. 

 Em Vandalismo Augusto parece falar de desencantos, de sonhos destruídos por ele mesmo, assim como o “eu” do poema que aparece abaixo, que declara ter entendido a desgraça que é o amor. Os dois “eus” presos em si mesmo provocam modificações, em suas vidas. Os dois promovem um diálogo introspectivo e os dois parecem gritar a palavra desilusão, embora ela não apareça em nenhum dos dois textos. Vandalismo é uma apreciação interna do sonho, do sonhador e da destruição de ambos, e descuidos é o lado de fora de um sonhador muito parecido. Vejamos o poema bom:

 

Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos …

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

                                               Augusto dos Anjos, 1904.

 

  Agora o péssimo:

 

               Descuidos

 

Descuidado ele ouve música,

e faz sua canção com tom de amor,

transforma a alma atéia em lírica

e então seu ratio se amuou. 

 

Descuidado ele faz promessas sem pudor,

E até caminha ao luar.

Em meio a gestos de louvor

se deixa apaixonar.     

 

Descuidado ele perde a métrica,

E agride até o soneto

Com mais seis versos perdidos

Sem pedir licença poética.

Reza alto em seu idioleto

Hei de ter compreendido:

 

Que o descuido cometido

é um dia nublado,

é um paciente acometido.

 

O descuido cometido

É um homem que isolado,

a seu peito fica recolhido.

                       David, 2005.

 

Espero melhorar meu jeito de escrever aqui, esse é só o primeiro post. tomara que apareça assunto pra outros. Tenho um projeto de escrever sobre otimismo, pessimismo e realismo. Todos os três em noções do senso-comum, e essa seria a idéia para o blog, vejamos se eu consigo um dia.
 
Abraços a todos. 
 
Posted by davi de tal at 18:22:45 | Permalink | Comments (2)